quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

MEU CORPO E O CORPO DOS JORNAIS



Ezra Pound entrando pelos orifícios do corpo,
do meu corpo de papel moeda,
do meu corpo de cinema novo

Versando sobre nenhum tema
porque nenhum tema passeia nessa hora
de juntar partículas e planetas

Planetas, arranco do papel
da última hora
e da volta dos que nunca deveriam ter ido

Compreender o ultimato do agora
para dar outros formatos ao que está vindo

Os grande nomes do cinema
cabem no vão das águas
que invento sobre essa lâmina

Corto a cabeça do parafuso
formado por meu corpo e o corpo dos jornais
para nunca mais ter que me rosquear
aos porões dos turvos pensares

O que fazer com tantos poemas?
O que não fazer com tantos poemas?

Fazendo da duvida o pulso do próximo passo,
do erro, as fábulas do primoroso dia

Ferreira Gullar move as portas das casas
que agora são livros
Cassiano Ricardo mora comigo nos sótãos da cidade
e nos relâmpagos cortadores de línguas

As pedras fedorentas que o mundo nos atira
entram na metamorfose de nossas palavras roedoras
Minhas palavras roedoras correm, correm, correm...
até o rompimento da barragem,
até o homem comer
com o cérebro sangrando o espelho

Agora tenho água na moringa libertária
do corpo que o barro me deu
Agora a cerâmica dos que pensam em água
adquire o formato de um copo vazio

(edu planchêz)

Um comentário:

Orlando Rangel disse...

Sr.Planchez tens as mãos cheias da
poesia envoltas em liberdades de áureas cercanias.Me apetece falar o
quanto é enobrecedor para mim como
ser humano conhecer alguem que não
tem medo das palavras e nem do poder que elas possuem.Que possam elas fugirem do cercado do paraíso
para fazer um mundo mais humano na
tentativa da realidade de múltiplos
aspectos e variantes. No mais, obrigado por poesia tão bela!!!!