segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

FILHOS DA MORTE BURRA


Jovens
sem nenhuma utopia caminham tensos pelas ruas de suas casas velhas sem nenhuma luz,
sem nenhuma luz d Fernando Pessoa;
fechados nas sexuais telas da impotência se masturbam
contemplando corpos em decomposição

Norte de minha Fé,onde estavam o beija-flor e o arco-íris
na hora do nascimento dessas criaturas?
Eu entrando na virtuosa idade e eles entrando em idade nenhuma
Quantos raios de flor restam nos corredores dos céus de vossas bocas?
Quais nascentes clamam por seus nomes?

Os filhos da morte burra cheiram o branco pó da anemia,
esqueceram que um dia tocaram na poesia da transgressão
em pleno ventre de suas esquecidas mães;
esqueceram de colar o ouvido ao chão
para ouvir as ternas batidas do coração das borboletas

Os Filhos da morte burra, jamais levantam uma folha
para contemplarem o labor dos insetos;
jamais ergueram uma taça de orvalho brindando a vigorosa lua;
desconhecem ou nunca ouviram falar em iluminação;
abrem a boca apenas para vomitar

(edu planchêz)

Um comentário:

Rodrigo Luz disse...

Perfeito este poema...
Filhos da morte burra
assim somos nós , a nova geração
desse mundo, desse pais...
todos filhos da inevitavel e
agora Burra Morte.